sábado, 1 de novembro de 2014

O meu pai José Pereira Jardim ( Sêo Zéquinha ) e algumas reminiscências infantis...

Quando meu pai ( Sêo Zéquinha ) conheceu minha mãe,  foi um "Deus nos acuda", nas cercanias do bairro, contiguo ao bairro da Maria Preta, da cidade de Carmo de Minas, M.G.
Um dos meus tios, irmão de minha mãe, fez um versinho para "abusar" o meu genitor:
 " Quem tiver sua filha moça,
não leve domingo à missa,
pois, o velho de barba ruiva,
é o primeiro que cobiça!"

Meu pai tinha olhos azuis, barba e cabelos ruivos ( meio avermelhados ) era mais velho do que minha mãe...( Falecida, quando eu tinha 04 anos de idade!...)
Tenho poucas e esparsas lembranças do meu tempo de criança, bem antes da puberdade...
Porém, na minha adocicada memória, ficaram alguns indeléveis traços desse tempo da meninice, das peraltices, das bolinhas de gude, das pipas empinadas pelo azul do céu, ao sabor dos ventos e das brisas, que perpassavam pelos nossos cabelos amarfanhados, dorsos nus e calças curta...
Ganhei de um amigo de meu pai, um canarinho da terra, que trinava tanto, ao ponto de enternecer as nossas almas inocentes, que não atinava com o cantar de tristeza da ave, com suas penas mais amarela do que açafrão da terra, ao gorjear na solidão da gaiola, impedido de enamorar-se de uma companheira, que vivia rondando sua prisão... ( Uma gaiola dourada ) Disso, não tínhamos noção, eu e meus amiguinhos, companheiros das artes e folguedos de todos os dias... Um dia, o canário amarelinho morreu! Fiquei muito triste, principalmente, porque esqueci de colocar alpiste no coxinho e "achei", que tinha morrido de fome por minha causa. Foi o meu primeiro sentimento de dor, que me fez entender o que era a presença da ausência, que chamamos de saudade!
Nunca mais quis ter um passarinho preso na gaiola... e quando, um dia, entrei para o primeiro grau, no Grupo Escolar Antônio Cândido Mascarenhas, na cidade de São Lourenço, M.G., e aprendi a ler, fui convocado para recitar uma poesia... E qual foi a poesia escolhida?...
O pássaro cativo - de Olavo Bilac - um dos maiores poetas da nossa literatura brasileira.



O pássaro cativo,







Armas, num galho de árvore, o alçapão;
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas cai na escravidão.

Dás-lhe então, por esplêndida morada,
             A gaiola dourada;
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo:
Porque é que, tendo tudo, há de ficar
             O passarinho mudo,
Arrepiado e triste, sem cantar?

É que, criança, os pássaros não falam.
Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
             Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer:

             “Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que a voar me viste;
Tenho água fresca num recanto escuro
             Da selva em que nasci;
Da mata entre os verdores,
             Tenho frutos e flores,
             Sem precisar de ti!
Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola
De haver perdido aquilo que perdi ...
Prefiro o ninho humilde, construído
De folhas secas, plácido, e escondido
Entre os galhos das árvores amigas ...
             Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pompas do arrebol!
             Quero, ao cair da tarde,
Entoar minhas tristíssimas cantigas!
Por que me prendes? Solta-me covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade:
Não me roubes a minha liberdade ...
             Quero voar! voar! ... “

Estas cousas o pássaro diria,
             Se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria,
             Vendo tanta aflição:
E a tua mão tremendo, lhe abriria
             A porta da prisão...


                                                         Olavo Bilac




                                                                                                                                                    



























Falácia sentimental

Porque a gente precisa de alguém,
Para mendigar um amor fugaz?...
Rogar-lhe que nos pise na alma,
Que nos olhe... com desdém?


Será que vale a pena?
Não sei, não o sabe ninguém...
É um amor desengonçado,
Desgraçado,
É o que ele é!


É muito custoso para mim,
Manter esse sentimento,
Esse tormento,
E a indiferença,
Que não sou capaz,
De oferecer...


Esse amor, creio que existe,
Me deixa louco,
Me apavora,
Mas, não consigo sair,
Desta prisão,
E ir embora...


Ando pelas ruas,
Sem rumo,
Sem prumo,
À esmo,
Sou prisioneiro,
De mim mesmo,
Talvez...
Queira morrer,
Sufocado,
Na praia,
Estirado,
Sem pecado...


Sou um poeta operário,
Do verso,
Deste universo,
Interior,
Tão precário...
Um visionário do amor,
incandescente,
Que torra a alma
E a mente...


Esse poder que você,
Tem sobre mim:
É o começo,
Meio,
E fim...
Dessa falácia sentimental,
Que é o meu,
E será:
O seu mal!











































































































































































































































































































































































































A primogênita

Cultivando a terra promissora do amor que brotava em nossos corações,
pensamos em plantar uma semente na gleba fértil das nossas emoções...
Éramos bem jovens - e no verde-esperança dos olhos encantadores,
pensei e decidimos - que teríamos um jardim cheinho de flores...


Então, já enamorados, trilhamos nossa vida: Nosso idílio!
Queríamos, ardentemente... O nosso primeiro filho,
Perfil helênico.... Igual a uma estrela que brilha,
E Deus nos deu, Anna Paola: A primeira filha!...


Completando o nosso jardim... Outras flores nasceram!
Cada vez que isso acontecia - era uma felicidade danada...
E a gente seguia, alegremente - pela vida - a nossa estrada!


Poderia dizer sobre tantas coisas que aconteceram...
Mas, deixa isso pra lá, pois, a vida é mesmo assim:
" - Pensem num pai feliz... da Anna Paola Jardim"