O outro não é melhor do que nós, mas, amamos o outro porque ele é melhor do que nós, apaixonamo-nos pelas mascaras das qualidades, que achamos que o outro tem e pelo que o outro projeta em nós, na ilusória busca do par perfeito e da eterna utopia da "alma gêmea..."
E depois de um tempo, descobrimos que o outro não é o que pensávamos que era, pois, cada um é o que é e não o que queremos que ele seja...
Quando estamos enleados na busca do amor, vemos tudo de bom no outro, que idealizamos para ser o nosso amor pela vida a fora... e sua voz é meiga, doce e cheia de ternura, alegria e charme e, aí, a nossa adrenalina sobe e os hormônios querem sair pelos poros, e a gente, depois de algum tempo, achamos que não era bem isso que queríamos ou esperávamos, então, vem a decepção que nos martiriza, pois, a culpa é somente nossa, ao criarmos expectativas inúteis e ilusórias sobre a pessoa ideal, por querer se completar no outro, porque, o ato de amar deve obedecer a incondicionalidade de ser e estar, de viver e renunciar em função do outro... aí, desenvolvemos a agorafobia que é o medo de estar com outras pessoas, quer como um casal ou no meio da multidão, nos impedindo de ser feliz e se doar para o outro sem estabelecer condições... é a solidão na multidão!
O outro que amamos, não deve ser medido pela transitoriedade das formas túmidas e sensuais, e sim pelos valores éticos, morais e fraternais, senão, cairemos no vale negro das decepções e ilusões, que a vida se nos apresenta na sua trajetória, rumo ao progresso e evolução espiritual, quer individual ou coletivamente falando...
Quando o nosso sorriso de hoje é o resultado das lágrimas de ontem, é sinal que vencemos o nosso eu egocêntrico, que só espera do outro, quando deveria, renunciar e perdoar, compreender e tolerar, doar e amar... sempre, ate doer!
Não há outro caminho para ser feliz, a não ser... amar o outro que amamos!
Itanhaém, 19 de fev de 2017
José Aloísio Jardim ( Sêo Jardim )
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