sábado, 5 de agosto de 2017

As múltiplas faces do egoísmo e da ignorância

Enquanto estamos no caminho, onde houver desarranjos afetivos, temos a chance de reparar o erro cometido contra o nosso semelhante, principalmente, na família, que é uma estratégia Divina...
Quando não disciplinamos a nossa energia e a deixamos cair nas malhas da luxúria e promiscuidade, ficamos refém de nossas emoções atávicas e grosseiras, pois, o afeto e o respeito sai pela porta dos fundos da nossa alma, para cair no precipício das dores pontiagudas, que nos fere como se ferro em brasa o fosse...
Se eu fosse uma planta ( reino vegetal ) iria querer um meio favorável para crescer, mas, como sou um homem ( do reino animal ) preciso de um meio adverso para florescer as minhas potencialidades, submersas no fundo do meu egoísmo latente, fervente e emergente...
Preciso, também, de um poder de síntese analítica, pois, quanto mais equivocado eu sou, mais mais mal eu faço aos outros e à mim mesmo...
Nós, sem querer querendo, arruinamos nossa vida, pelo sucesso de Deus, na Sua perfeição, justiça e misericórdia, ao sabotarmos nossos planos de sermos felizes - pelo egoísmo - porque não entendermos que somos deuses...
Somos, a maioria, enfim, pessoas comuns que se preocupam com coisas extraordinárias, e não pessoas extraordinárias que se preocupam com coisas comuns e naturais.... 
Para que entendam o viés dessa exposição em relação ao título:
A homossexualidade não é comum, mas, é natural porque é do ser espiritual e do livre exercício do amor incondicional, portanto, lidamos com o não comum, mas, extraordinário, quando percebemos que a homo afetividade é natural e comum... e vem desde prístinas eras e, só sabemos "julgar e condenar", pela ótica nublada dos nossos recalques, idéias  pre-concebidas e tradições da religiosidade do pseudo cristianismo dos" doutores" das igrejas...
Deus, se pudéssemos defini-Lo, seria homem ou mulher? Sabemos que Ele é espirito e não possui sexo como o entendemos, morfologicamente...
Para que compreendamos a razão do nascer homem ou mulher, é só procurar no "Livro dos Espíritos" as respostas que, também, contém o porque nascer com tendência homo afetiva ( pelo mesmo sexo ), porém, sem os abusos do  sexo, a promiscuidade, a falta de respeito aos limites e liberdade do outro, limitando a conter os impulsos sexuais em público, ao manifestá-los, abertamente, sem os pudores de praxe, pois, a liberdade de um termina quando começa a do outro, seja ele quem for ou esteja exposto aos olhares alheios... Entre quatro paredes estamos á sós? Não! "Uma multidão de testemunhas vos observam e acompanham, constantemente..." já o disse o Apostolo Paulo! Então, tenhamos cuidados com as nossas manifestações homo afetiva, de um modo geral...
Amar e dar vazão ao instinto animal não é "pecado..." e sim, a maneira como procedemos em público. Ainda, neste mundo de expiações e provas, que caminha para um tempo de regeneração, somos e seremos, por muito tempo, perseguidos pelo texto do Velho Testamento, que diz: " O homem que deita com outro homem fazendo dele sua mulher, é uma abominação aos olhos do Senhor..." Levítico, senão me engano. Isso, também, vale para a mulher, só que, com a incompreensão potencializada na condenação!
As classes e o pensamento dominante, ao seu bel prazer, obedecem e fazem as Leis, conforme seus interesses e evolução espiritual, ainda, no jardim da infância do orbe terrestre.
Somos egoístas e ignorantes, e as nossas faces são máscaras no teatro da existência, que mudamos a cada ato, isso, é um fato!
Não julgueis para não seres julgados! 
O agravante é o conhecimento da razão dos atos e o atenuante é a ignorância dos fatos! Porém, as Leis de Deus, existe e persiste na consciência do homem, "sapiens ou spiritualis...", que não nos exime do erro, do julgamento e da condenação , implicando na Lei de causa e efeito, que é justiça na medida certa. Isso, não tem jeito, é liquidação da divida... com o nome de oferta!

Itanhaém, 05 de 08 de 2017


Jose Aloísio Jardim    ( Sêo Jardim )

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Passando o tempo

Subi no morro para ver o meu amor passar.
Ela não passou... eu desci!

Naquele morro passa boi, passa baiada,
Só não passa o meu amor,
Porque nunca subiu lá!

Quando o sol raiar vou na praia ver o nascente,
Quando ele desmaiar no poente,
Vou vê-lo abraçar a noite..

Me pergunto:
Quando a gente morre vira presunto?
Não pode ser... um queijinho de Minas?

Quer saber de uma coisa?
Va caçar sapo de bodoque!

A mulher perdida é a mais procurada...
O homem perdido vai pro inferno!

Ita, 24 de jul de 2017

Jose Aloísio Jardim   ( Sêo Jardim )

Como é difícil andar em linha reta

Andar em linha reta não é fácil, por isso, meus caminhos são sinuosos em qualquer tempo...
Sou um pregoeiro da amor, do bem e da verdade, embora sofra a compulsoriedade da dor e do desamor, que me mata pouco a pouco, me deixando quase louco...
Incompreendido, luto na arena da existência, para deixar bem claro, que só o bem vale a pena, pois, o mal que praticamos nos volta, às vezes, em dobro... mas, porque a humanidade cisma em continuar sua experiência nefasta neste quesito? Talvez, sejam nossas heranças atávicas, impregnadas no fundo da alma imortal, que se compraz no cadinho das dores superlativas, por que não? Cada um faz o que quer e como lhe aprouver... E fico neste meio termo, achando que todo mundo está certo e que o errado sou eu...
A insensibilidade dos homens que nos governam, dos empresários, que são nossos patrões, dos religiosos, que aproveitam da ignorância dos fiéis cobrando-lhes os dízimos e as "ofertas voluntárias" a que somos submetidos, com promessas de um mundo melhor ou de eternos paraísos nas cercanias dos céus... fico, assim, com vontade de fazer o mesmo e ser um desses trânsfugas das Leis divinas... que parece que para eles, "tudo dá certo!"
Porque entramos no processo de experimentação do mal sem sentimento de senso moral?...
Me transformo, quando chega a dor do arrependimento, que diminui o sofrimento, apagando as sombras do mal em mim, fruto da ignorância, que enseja a reparação nas jornadas necessárias ao progresso do meu espirito imortal.
Preciso reparar os "estragos", no exílio de outro orbe mais primitivo... haja vista, os exilados de Capela, que tinham uma vida sinuosa... e viemos para o planeta terra, que mil desventuras ela encerra...
Quem, por ventura, me pergunta porque sofremos, digo-lhe, sem medo de errar, que: é difícil andar em linha reta!

Mas, eu posso ser reto, já que tantos são oblíquos... e não é por mentes de lama, que eu deverei ser julgado, e sim, pela minha própria consciência e a justiça misericordiosa do Grande Arquiteto do Universo! Isso, chama-se : consolação, pois, é difícil, mas, não é impossível, basta, vontade férrea, inamovível e inexorável!
E tenho dito!

Itanhaém,24 de jul de 2017

Jose Aloísio Jardim   ( Sêo Jardim )

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Perdição

Meus desejos, são desejos, totalmente, carnais,
E quanto mais desejo mais desejos tenho mais,
Palpito em frenesi, e no meu desejo me enleio,
Ao acariciar - a ponta do teu intumescido seio!

Todos os meus sonhos viraram pesadelos,
Quando apertei a tua mão gelada, na minha,
Quando - ofegantemente - beijei os teus cabelos,
Quando minha alma foi tua e deixou de ser minha!

Palpitações, ânsias, loucuras e fortes desejos,
Era uma noite cálida de verão... perfumando o ar,
Quando minha audácia se cobriu de pudor e de pejos!

Tudo isso teu corpo me provocou.... para te amar!
Porém, o erro foi de nós dois: " São coisas do coração!"
Sempre foi e será na vida o fator genético de uma perdição!

Ofertório:
Desde que o mundo é mundo que o sexo é perdição,
Às vezes, é praticado com amor e carinho ou em fúria,
Asseguro, "que não é pecado", a não ser numa condição:
O sexo ser  praticado, pelo diabo, da sodomia e da luxúria!

Itanhaém, 20 de jul de 2017

Jose Aloísio Jardim   ( Sêo Jardim )



quarta-feira, 19 de julho de 2017

Anchieta - o Santo de Itanhaém

Saia nas tardes iluminadas a pisar na areia,
À Virgem, em súplicas... ficava orando,
Imaginando o cantar de uma sereia,
Nas tardes inteiras, esperando...

Anchieta, em silêncio, medita,
É um meigo padre solitário,
Que na sua fé acredita,
Rezando seu rosário.

Catequiza, feliz, os aborígenes selvagens,
Cuida dos enfermos as suas chagas nuas,
Contemplando os céus e as paisagens,
Com seu breviário sob todas as luas.

Aves coroavam sua corajosa fronte,
Em revoadas, e as espumas do mar,
Beijavam seus pés na orla do monte,
E as flores atapetavam seu caminhar.

Era Anchieta apoiado em seu cajado,
Seguindo firme a sua nobre missão,
Nunca demonstrava estar cansado,
Com a cruz de Cristo em seu cordão.

Quando o índio seu tacape balança,
Anchieta ergue a cruz de Cristo,
Aí, o guerreiro, sua arma descansa,
E tudo sai... como era previsto!

Anchieta - era homem e fervoroso jesuíta,
Precisava vencer a carne e a índia nua,
E o fogo que nas suas entranhas crepita,
É um teste à sua fé, que no sexo apazigua!

Oferta:
Mãe de Jesus, protetora de Anchieta!
Cubra-o com seu sagrado manto azul,
Para que ele proteja, o nosso planeta,
De la onde brilha... O cruzeiro do sul!

Itanhaém, 20 de jul de 2017

Jose Aloísio Jardim   ( Sêo Jardim )

Sombras... " Ce la vie!"

As sombras, são reminiscências do pretérito da lida vivida na minha cidade de São Lourenço, em Minas Gerais , quando eu, inocente e adolescente, sonhava com um futuro e uma vida cheia de prazeres e alegrias, sem atinar com a maldade dos homens e  a dura realidade da existência...


Encontrei-a sentada ao pé da escada de mármore de carrara, linda, sorriso enigmático e olhar estático...
Aproximei-me, devagarinho, como se fosse um gato palmilhando o tapete de veludo, cobrindo o salão de tacos em escama de peixe, desenhado pelas mãos do artífice marceneiro, que hoje não existe mais, e falei baixinho: 
" - Posso ser útil em alguma coisa?" Silêncio! Nada mais do que o frio silêncio e nenhuma menção de um movimento sequer... foi, para mim, uma angústia inominável tal procedimento de aparente apatia e desprendimento, do que à sua volta pululava de vida... Já ia saindo, tão devagar quanto me aproximara, quando ouvi uma voz canora, que dizia: " Por favor! Não se vá! Fique um pouco ao meu lado... não precisa falar nada, só ficar ao meu lado... me sinto muito só, fique, por favor!" E antes de rodopiar nos calcanhares, voltei-me para a mulher mais linda que já havia visto com esses olhos que a terra ha de comer, e abaixei-me para ficar ao lado dela e verificar o que podia fazer ou ser útil, como já havia dito... após alguns minutos de quietude falei em tom ameno e meio paternal: " Então, podemos conversar? Meu é José e o seu? " E ao levantar o olhar para me fitar nos olhos, vi que descia uma lagrima daquele rosto, delineado por Afrodite, a deusa da beleza que, também, o era do amor e, talvez, por isso, tenha eu sido flechado pelo cupido, que devia estar por perto... pois, fiquei aparvalhado, meio abestado, parvo e "ensopado" de amor à primeira vista...
Gentilmente, ofereci-lhe minha mão para erguê-la do piso gelado, em que sentara, principalmente, porque era uma tarde de inverno, quando os ventos sopravam de todos os lados, entrando pelas frestas das janelas e portas, mesmo fechadas a sete chaves, para escapar das baixas temperaturas, que soem acontecer nesses tempos de minuanos vindo do sul, cortando nossa pele sensível ao gélido teor polar... com sua mão estendida para a minha, apertei-a com carinho e puxei-a para mim com a intrepidez dos cavalheiros da távola redonda, dos tempos do Rei Arthur, e do amor de Lancelot pela rainha, esposa do rei, que devia proteger, mas, o amor falou mais alto... assim, nascia um amor impossível entre mim e a mulher sentada na escada de mármore de carrara...
Mas, porque impossível? Porque ela era, simplesmente, a mulher do maior transgressor da Lei da minha cidade, pois, ele era banqueiro do jogo de bicho, que era feito à luz do dia e consentimento da polícia que, costumeiramente, passava para um cafezinho e "pegar" a propina, que ficava em um envelope, dentro de um embornal, em cima da mesinha de vime, que sumia como por encanto... do móvel, em um canto, quando o Agente de Lei saía e dizia: " Até amanhã, se Deus quiser. Fiquem com Deus!" Ironia ou paradoxo da vida? Deixa isso prá lá!
Laura, uma mulher de rara beleza, era a mais cobiçada pelos homens, que faziam suas apostas, sonhando com a riqueza fácil, com a "sorte grande", pois, os bilhetes da loteria federal eram vendidos, também, sem problemas... mas, ninguém tinha coragem de dar uma piscadela ou fazer um gracejo, senão... poderia "virar presunto" boiando no rio Verde, carcomido pelos peixes... Fantasia ou verdade,  ninguém queria por à prova, aliás, ninguém duvidava...
Aquele encontro fortuito, tramado pelo destino, foi um marco em nossas vidas e na vivência de um amor à la Romeu e Julieta, cujo fim trágico não foi o nosso, pois, esse amor, de emoções e sentimentos elevados, teve seu apogeu no êxtase dos encontros, quando seu mantenedor financeiro se ausentava para seus compromissos "profissionais" na casa de jogos, chamada, também, de "Banca", que bancava os jogos feitos pelos cambistas espalhados pelos quatro cantos da cidade...
Mas, diz o ditado: "que tudo que é bom dura pouco..." e o nosso amor durou pouquíssimo, porem, foi infinito enquanto durou..."
Porque tudo acabou? É simples: Um dia, comecei a fazer jogos e bancar a metade dos mesmos, descartando somente a outra metade, ate que, um dia, deu uma centena e, pela argúcia de sentidos e sagacidade o banqueiro descobriu todo o esquema e me chamou para conversar, e como eu sabia que com ele não se brincava... o que fiz foi sumir: Anoiteci mas não amanheci, quer dizer saí na calada da noite e fui embora da minha cidade natal para a capital... e nunca mais voltei. Quer dizer:
O tempo, inexorável, passou... Um belo dia, voltei para rever os amigos, que um dia, eu deixei a chorar de tristeza, e a mulher, que muito amei, perdidamente, na solidão da missiva deixada no lugar de costume...
Fiquei sabendo que o "banqueiro", que diziam ser um matador, apenas, queria me conhecer e me dar trabalho na Banca, porque achava que eu era muito "esperto e inteligente..."
Mas, vai que... e na dúvida, optei por sumir do pedaço, com medo de ser despedaçado, quebrado e fragmentado, pelo amor e o pecado de "dividir os dividendos..." com o "Capo da mafia!" 
Hoje, passado tanto tempo, José voltou a sua terra natal e viu que, tudo está diferente... e a maioria das pessoas já faleceram, inclusive, o Banqueiro do jogo de bicho, que Deus o tenha!
De Laura, apenas e só, doces lembranças! 
Sombras... " Ce la vie!"

Obs: A colocação do personagem central ( José ) no texto, na primeira e segunda pessoa, é um estilo de escrita, para fazer entender que a vida imita a arte e a arte imita a vida! A realidade copia o sonho e o sonho copia a realidade, e entre todos e tudo ha uma intercessão!

Itanhaém, 20 de julho de 2o17

Jose Aloísio Jardim   ( Sêo Jardim )

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A visita do passado

Tudo é passado em minha vida:
As mulheres que amei e os sonhos desfeitos,
Muitas delas, vi-as vestidas de noiva... promovidas,
Ao altar do matrimônio... sonhando amores-perfeitos!

Fico a pensar naquela rosa, cheia de espinhos...
Que tanto desejei colher, para fazer um "bouquet",
Eu, que era louco varrido pelos seus carinhos,
Encontrei somente, desprezo e dor, vindo de você!

Então, ouço meus passos no assoalho da casa.
De repente... agita-se uma música ao piano,
Meu pensamento... converte-se em brasa,
Pela melodia saudosa do meu desengano!

Tudo se foi como zéfiro vento do oeste,
Tudo passou, tudo... tudo está desfeito!
Foi tudo que restou... do que me deste:
As pétalas mortas de um amor-perfeito!

Hoje, o meu passado esta visitando o meu presente.
E o interessante... é este espetáculo sem fim,
Para recebê-lo, meu coração, solenemente,
Formou um corredor de rosas no jardim!

!" São as melhores lembranças:
Dos amigos quando crianças...
Das mulheres que amei...
Dos meus sonhos...
Das esperanças...
Saudades vivas,
Que enfeitam meus devaneios,
Perdidos nas areias do tempo,
Que não se esvai,
E que da minha mente não sai,
Com medo da solidão..."


Itanhaém, 17/07/2017

Jose Aloísio Jardim   ( Sêo Jardim )