domingo, 27 de julho de 2014

Os "despachos!" Uma rutalística de uma Religião Afro-brasileira

Serpenteando, subia a fumaça do incenso, aceso para purificar o ar dos miasmas deletérios das mentes atreladas às maldades, concupiscências e vinganças odientas, manifestadas no ambiente do lar da família católica, apostólica e brasileira... Porém, nada disso adiantava para modificar o ar, pois, todo o espaço visível estava pesado e insuportável, enquanto o invisível era tenebroso, tétrico e gosmento, onde se formavam imagens condensadas e plasmadas nas profundezas das zonas abissais, pelos espíritos trevosos, maldosos e insidiosos ( nossos irmãos desquitados do amor e do bem ), que teimavam em obsidiar os incautos viajores da carne, na tentativa de cobrar suas pendências do passado, cujos elos estavam, espiritualmente, unidos aos mesmos seres que perseguiam, impiedosamente...
Muitas vezes, é inútil a tentativa de higienizar o ambiente doméstico, devido a cumplicidade de nossos atos, jungidos aos companheiros de outras eras, nas estâncias das intercecções das almas... Portanto, de nada adiantam ações, meramente, materiais para resolver problemas espirituais...
A solução está vinculada ao amor e ao perdão incondicional, através da oração, firmando o nosso propósito de mudança em relação aos nossos desafetos, quer do plano material quanto espiritual, na busca da paz que frutifica, somente, no terreno fértil do esquecimento da ofensa e na prática do perdão aliada a oração.
As nossas ambições e desejos não correspondidos, são caminhos abertos para a obsessão, quando procuramos satisfazê-los através da estradas sinuosas do comprometimento com as entidades que povoam as religiões afro-brasileiras com suas ritualísticas para alcançar nossos escusos desejos e objetivos
Na verdade, estou falando dos "despachos", que se fazem nas encruzilhadas, na intenção de resolver assuntos espirituais e materiais de interesses, os mais diversos, desde a conquista do amor até as riquezas, medidas pela moeda sonante...
Atraímos, com isso, o assédio dos espíritos das trevas, do umbral e das zonas abissais, com os quais nos atrelamos pelos laços da cumplicidade e de uma dívida, que, um dia, nos será cobrada... e teremos que pagar... Senão!...

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