Gostava - um pouco - de jogar futebol, andar a cavalo, nadar nas lagoas, formadas pelas enchentes, que aconteciam na época das chuvas, enchendo as partes côncavas dos sítios e fazendas esparramadas pelas glebas, que circundavam a minha doce e querida cidade de São Lourenço nas cercanias de Minas Gerais...
Paixões e amores platônicos, faziam, também, parte da minha meninice, que me encaminhava para a puberdade precoce, pois, fantasiava amores proibidos com as meninas da mesma idade, porém, mais maliciosas e audaciosas nas paqueras, quando o entardecer abraçava as noites cálidas de verão...
As brincadeiras do meu tempo de "enfant" eram sadias e dava gosto "comete-las" nas ruas de terra batida e poeirenta, bem como nos arrebóis do nosso bairro, reduto de seresteiros apaixonados, cantando os amores impossíveis e as paixões, que envolviam suas almas, esperançosas de encontrar a outra !"alma metade"... e ser feliz para sempre!
Nunca tive medo de nada, a não ser de assombração e alma penada, mas, de resto, tudo era festa e alegria, mesmo nos momentos de dor, quando alguém morria, pois, isso, eu nunca entendia, e sempre perguntava o porquê, ao olhar para as estrelas do infinito azul, abraçando o cruzeiro do sul...
Vivia solto, em total liberdade, era dono de mim, das noites e da cidade...
Mas, o tempo foi cruel e passou, deixando um rastro de saudade por todo lugar por onde me vou...
E hoje, cansado, que ironia, brinco, somente, de "empurrar com a barriga", a minha melancolia...
Olho, para este novo mundo, esquisito, e me lembro das janelas e das portas sem tramelas...
Lembro-me de alguns amores, de olhos serenos e peitos morenos, e daquela que me fez homem na volúpia da sua nudez, tirando-me a paz, de uma só vez...
Cresci!
Meus amigos, onde estão?
E minha cadela, "Diana", fiel companheira de andanças e peraltices nas horas de lazer?
Onde estão os grilos e as cigarras, que faziam uma baita algazarra, com seus sons de notas agudas e estridentes, que ensurdeciam as mulheres anciãs e os homens com suas cãs?
E quando anoitece, onde estão os vaga-lumes piscando, voando em ziguezague e a noite iluminando?
Vejo-me: Só!
Neste momento, noto que estou olhando para o espelho da minha vida e a figura do menino vai se desvanecendo, devagarinho, nas lembranças deste pretérito, que não volta nunca mais...
De repente, ouvi uma voz que vinha de dentro de mim:
" - Eu sou o tempo! Passo para todos e para tudo, tão rapidamente, que, às vezes, até eu me iludo... Sou como um relógio, que passa as horas, os minutos e os segundos, desapercebidamente...
Sou o começo e o fim, e trago dentro de mim, o adeus aos sonhos, fantasias e quimeras...
Sou todas as estações: Verão, outono, inverno e todas as primaveras!"
Oferta:
Um presente do presente!
Eu sou - Como um menino assustado,
Cheio de sonhos e quimeras do passado:
E no espelho, aparece a imagem refletida,
Do homem, que chegava - Ao final da vida!
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