terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Lições de vida: Genes recessivos

" Se o homem soubesse as vantagens de ser bom, seria homem de bem por egoísmo."
Quem disse isso? Foi Santo agostinho!

Bem, sem falar sobre religião, que cada um tem a sua pelo seu modo de ser, ver e aceitar a doutrina que se lhe é imposta ou que segue, de acordo com seus princípios, tradição ou opção...
Mas, vou contar uma historinha de cunho religioso:
Quando Sêo Doca entrou no bar, todos se voltaram para ele.. e aí., a pergunta veio sem pestanejar:
- Estou amarfanhado ou mijado?
Ninguém respondeu... 
Foi um silêncio total, pois, conhecido que era, por ser de temperamento difícil, ranzinza, rancoroso e mau por natureza, e cair na desgraça de seu julgamento, era receber uma afronta, na certa, direta e reta... Também, era conhecido como um homem revoltado com a vida e os problemas, que eram uma constante no seu dia a dia... 
Odiava as pessoas, culpava o governo e aqueles que tinham sucesso nos negócios, dizendo que, só dá bem na vida, quem rouba e participa da corrupção em todos os setores, os mais diversos... e condenava de dedo em riste!
Falava, encolerizado, alto e ao bom som: Só tem desgraças e desgraçados, neste mundo de meu Deus... 
No seu conceito, ninguém prestava, e o que mais desejava, era morrer e ir para o céu para gozar das delícias do paraíso, prometido pela sua crença e religião, que professava, pois, era um "dizimista" fiel e fazia muitas ofertas no gazofilácio... fazendo questão de ser destacado, no culto dominical, as suas "doações", entre os humildes e crentes, servos do Mestre Jesus!
Sêo Doca, um dia, morreu e, chegando ao mundo espiritual, exigiu o cumprimento das promessas feitas pelos lideres religiosos das igrejas em que frequentou, até a sua " súbita subida" aos páramos celestes...
Conta-se que, um anjo que o recebera atendeu aos seus desejos de ficar sozinho, entre as nuvens, sem saber de nenhum problema, pois, já bastava os da terra maldita, em tivera que permanecer por longos anos...
E assim, foi-lhe concedido o que almejara e pedira: Não tinha problemas, apenas, paz e musicas ao longe, para alegrar seus momentos na nova vida...
Ficou encantado e feliz, com tudo que obtivera...
O tempo foi passando, inexorável...
Começou a sentir um certo desconforto pela inércia, solidão e abandono...
Aí, lembrou-se de tempo em que vivera no orbe, que tanto criticara e detestara...
Lembrou-se da infância, juventude e idade adulta, quando se tornara tão amargo, prepotente "e quase imortal" pelos bens materiais que amealhara, sem ter nunca um gesto de bondade para com o seu semelhante... Caridade? Isso era coisa piegas para seu espírito dominador e intransigente... mas, era um crente, que batia no peito e não aceitava qualquer crença, que não  fosse a sua...
Lembrou-se do trabalho, dos ensinos de seu pai nos caminhos do bem... dos amores da juventude e das peraltices da infância... andar a cavalo, nadar nos riachos de águas cristalinas, pescar lambaris e mandis nos rios da sua cidade natal...
Invadia o seu coração e a sua mente, a tinhosa saudade, espectadora paciente dos nossos atos e dos fatos...
E no seu mundo, como se estivesse dentro de um sistema ovoide, não tinha para onde ir, ninguém para conversar ou mesmo para ouvir seus lamentos e dores inimagináveis, que aflorava de sua alma cansada da solidão e do paraíso, que tanto queria encontrar, para viver, eternamente...
Foi, então, que veio na sua mente, a figura de sua mãe, ajoelhada, em oração, a lhe dizer: " - Meu filho, quando a dor for insuportável e você não encontrar ninguém para ouvi-lo, leve seu pensamento, sincero, à Deus, em nome de seu filho Jesus, que uma porta se abrirá e mãos amigas virão para confortá-lo..."
Então, em lágrimas sentidas, como nunca fizera antes em toda sua vida, orou assim:
" Pai de infinta misericórdia, em nome de teu filho Jesus, venho pedir-te uma nova oportunidade para renascer e ser um homem melhor, amando e servindo ao meu próximo!"
Algum tempo depois... nascia numa comunidade carente, uma criança especial, com Síndrome de Down, com o cognome de "Doca!" De olhos azuis, cabelos loiros, epiderme albina e de pais mulatos... 
E trazia a bondade no olhar cor de mar!

Oferta:
Pelas Leis de Gregor J. Mendel, o pai da genética, através dos genes recessivos, entendemos a Justiça, na justa medida das reencarnações, que provê o equilíbrio cósmico universal, com suas causas e efeitos - satisfeitos - com o DNA  ( ácido dioxirribonucleico )


Itanhaém, 12 de jan de 2016

Jose Aloísio Jardim    ( Sêo Jardim )



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