quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Respeite os meus cabelos brancos! Considerações.

As pessoas falam, sempre, assim: " Você não aparenta a idade que tem!..." Mas, a realidade é outra, pois, quem recebe tal "elogio" é, geralmente, alguém que já entrou na terceira idade, ou seja, já passou dos cinquenta (50) anos... E se estiver com mais, então, nem se fala...
A nossa cultura, de um modo geral, no mundo inteiro, cultua e valoriza a juventude, o corpo esbelto, sarado, as formas helênicas e atléticas, daqueles que são jovens e amadureceram, sem chegar ao cinquentenário dos anos vividos...
A juventude não possui a experiência, o conhecimento, o jogo de cintura e o "savoir faire..." Porém, isso, pouco ou nada importa, em um universo onde a beleza suplanta todos esses predicados e outros que podem ser elencados...
Um envelhecimento saudável, tem que ter o investimento na saúde, políticas públicas, programas específicos, sociais e de meio ambiente, voltados para os que ( todos) envelhecemos e não temos saída, a não ser recebendo atendimento prioritário nos setores, os mais diversos, tais como: Segurança, planejamento urbano com vias pavimentadas corretamente e iluminadas, além do transporte público eficiente e de qualidade, entre outras prioridades...
O idoso, nas ruas, é um vulnerável e desrespeitado, que não sai de casa, por medo, isolando-se no seu mundo novo, construído com o descaso das autoridades...
Aos cinquenta, sessenta anos, não teremos a capacidade de quando tínhamos vinte, trinta, quarenta anos... Isto é um fato!
Nossa capacidade respiratória e vascular começa a declinar, perdemos a força muscular a cada ano, a nossa nutrição errada e deficiente, influencia muito as atividades físicas, que não fizemos na infância e adolescência, gerando um efeito pernicioso no idoso destes tempos, de hoje em dia e, para danificar nossa qualidade de vida na terceira idade, ficamos refém de nós mesmos, sem estímulos intelectuais e emocionais, achando que, nada mais tem jeito, e o que está feito, está feito... É o começo da depressão - a doença do século - e o início do fim da via do idoso.
E temos algumas razões:
Se o trânsito não matar a poluição mata!
Você pode ser assaltado ou "latrocinado"!
Você pode adquirir o "Mal de Parkinson"! Ou " O Mal de Alzaimer"!
E outras doenças, próprias da "boa idade"!
Se tiver "sorte", um dia, serão idosos... para tornarem-se deprimidos, carentes e com a auto estima lá embaixo da ponte... da Freguesia do Ó.
Temos que envolver a sociedade civil, os políticos, as ONG´s, e a mídia poderosa, de um modo mais eficiente, mais contundente, mais benevolente em favor dos idosos, que o seremos, todos, no futuro, que, um dia, anoitecerá!
Somos, infelizmente, uma sociedade burguesa preconceituosa, insensível, sem solidariedade e respeito aos direitos dos idosos... Não queremos compreender para nos comprometer!
O idoso, isolado, perde a sua qualidade de vida!
Não saem de casa por que tem medo de andar, e sem andar, os membros se atrofiam e a capacidade física se deteriora, a alegria e os amigos somem, vão embora...
E quem cuida do idoso, quando sua capacidade diminui, seus passos trôpegos, ensaiam uma caminhada, que termina no começo da mesma estrada?
Às vezes, não é ninguém... Aí, entra a responsabilidade do Estado, que deveria oferecer um cuidador profissional institucionalizado!... Isso, gera custos... porém, é um direito e um dever, para combater a exclusão social do idoso, dependente do sistema de saúde, pois, o SUS é viável, gerando serviços e ações, pelos impostos arrecadados, que, em matéria de saúde pública é mal versado pela corrupção, que só o inferno de Dante poderá penalizar seus culpados...
Mas, não perco a esperança nos próximos políticos, que vamos eleger em 2014, a nível Federal!
O preconceito é que mata o idoso... Nos países do primeiro mundo ou avançados, espiritualmente, tudo é diferente: O idoso tem função, é respeitado, qualificado e "mentor" dos que encetam os primeiros passos, nas estradas da vida social e profissional... É um outro mundo! Mais digno!


Oferta:
É o ônibus que não para... é o buraco na calçada,
ninguém respeita - a vaga do homem idoso,
é a idade, nas filas - infelizmente - desrespeitada,
tudo isso deixa... o nosso velho desgostoso,
não há complacência... nem solidariedade,
com quem pertence: À  nossa terceira idade!

" - Eu ainda não morri,
mas, você, um dia,
vai chegar até aqui...
E quando,
tal fato acontecer,
você vai dar valor,
e já cansado,
por nada fazer,
será tarde demais,
pois, o que lhe cabe,
é somente envelhecer,
doente, depressivo,
e talvez, quem sabe,
seja mais:
Um morto-vivo!

Este é o momento internacional do idoso!
E o que dói mais, é o desrespeito, a falta de compreensão, a insensibilidade dos parentes, amigos, políticos e aderentes...
Somos inúteis, descartados, destituídos da palavra... somos, enfim, "o fim da cobra" da tolerância zero...
Um dia, você dirá:
" - Respeite os meus cabelos brancos!"














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