Porque te vejo sempre alegre e contente,
embora nunca tenha te visto sorrir?
Vejo teus olhos brilhando,
mas, também, vejo uma réstia de luar,
embaçando teu meigo olhar...
E pergunto porque,
porém, tu não respondes,
e do meu olhar te escondes,
ao sumir na noite densa,
que desce e entristece,
o dia que definha,
no entardecer...
Porque aquela mãe,
caminha pelas ruas da cidade,
pedindo por caridade,
um pedaço de pão,
se tudo o que ela queria,
era ver seu filho saciado,
fruto do amor e do pecado,
por ter errado - um dia -
e nós nada fazemos,
perdidos dentro
do nosso ego,
cruz que carregas,
cruz que carrego...
Porque aquele cão sarnento,
perdido, andando ao relento,
buscando, apenas,
um olhar amigo,
não encontrava
ninguém,
e esse único alguém,
não era tu e nem eu,
pois, dentro de nós,
- compadecido -
esse olhar, ha muito,
muito tempo, morreu!
Porque te vejo sempre alegre e contente,
embora nunca tenha te visto sorrir?
Acho que somos iguais,
somos dois animais,
irracionais,
enganando todo mundo que nos vê,
todos sabem nos julgar,
mas, ninguém conhece,
nossas razões e o por quê!
Teus olhos e os meus olhos,
são estrelas do firmamento,
vivendo na terra por missão,
neste mundo de provas
e total expiação,
e somos, em verdade,
o reflexo,
o côncavo e o convexo,
daquele sarnento cão,
vivendo,
no meio da multidão,
na mais completa solidão...
E meus olhos perguntam:
" - Por quê?"
Itanhaém, 1º de novembro de 2017
Jose Aloísio Jardim ( Sêo Jardim )
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