Quem morreu? Perguntou o visitante esquisito!
No caixão jazia o imóvel defunto em letargia,
O sobre ele, em zigue-zague, um mosquito,
E o nato coveiro na sua habitual apatia.
Quantos já enterrara? Já tinha perdido a conta:
Gente com catalepsia... feto vivo e feto morto,
Todos -com certidão de óbito e olhar absorto,
Sabia de cor todos os nomes de ponta a ponta!
Seu negócio era numerar as sepulturas e fechá-las,
Colocando um letreiro com data e nome do finado,
Trocando a água dos vasos e as "zícas" rechaçá las!
Tudo isso - diz ele - faço, totalmente, de bom grado,
Mas, o cemitério de Itanhaém, não é nenhum museu,
E detesto quando me perguntam: " - Quem, morreu?"
Oferta:
Não profanem os túmulos e as almas que dormem,
Com perguntas idiotas, que o silêncio é a resposta,
Deixe que a luz e a paz as novas vidas transformem,
No despertar dos umbrais que ficam além da crosta!
Itanhaém, 07 de nov de 2017
Jose Aloísio Jardim ( Sêo Jardim )
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