Um dia desses, que a gente nunca esquece, faz parte das minhas memórias as lembranças de um fato comum a quem vai pescar pelas bandas do bairro do Mambu, adentrando pelo meio da vegetação nativa, atingindo o rio e riachos, que nascem nas entranhas do alto da Serra da Mata Atlântica e desce serpenteando suas encostas, até atingir as cercanias limítrofes do solo itanhaense, justamente, por onde me aventurei, com alguns amigos, para fazermos uma pescaria, principalmente, de lambarís, por ser época de sua proliferação, os lambarís são uns peixinhos danados de saborosos e quando frito empanados com farinha manema e fubá mimoso, ficam, deliciosamente, crocantes... é um dos pratos dos deuses da cultura indígena, abençoados por Tupã e Jaci!
Mas, vamos ao fato das mutucas:
Era para ser uma caminhada tranquila, e foi, mas, a volta... Meu Deus! Que sufoco! Vindo não sei de onde, voando pelos ares quentes e perfumados que evolavam da vegetação florida, um cortejo de mutucas nos acompanhavam e pousavam em nossos corpos seminus, que combatíamos dando palmadas e chicoteando nossos dorsos com uma touceira de capim santo... de nada adiantava a iniciativa, e a agente percebia que as mutucas começavam a "engordecer", como dizia o índio que tudo observava, tranquilamente, na qualidade de nosso "guia" de trilhas radicais...
Cada mutuca que nos "garfava" a epiderme, ficava cheia e empanturrada de sangue, parecendo um tatu bola voando, quer dizer: rolando pelos ares do entardecer...
Pareciam mortas de fome, e com um apetite voraz, que dava dó... da gente, que sofria o ataque impiedoso para saciar seu desejo de nos "jantar..."
Começamos a correr, e alguns lambarís foram caindo fora do puçá e deixados para trás, pois, ninguém se aventurava a voltar e pegar os que caíam... eram " pernas para que te quero..."
O índio, ria, disfarçadamente, mas, não falava nada... e quando chegamos a um lugar, que, por encanto, as mutucas sumiram, perguntamos ao silvícola porque as mutucas não o moderam, ele foi enfático:
" Índio passar repelente!..."
Dias atrás,eu e meus amigos, nos encontramos, por acaso, na Praça da Matriz de Itanhaém, olhando para o cortejo da Festa do Divino, que acompanhava a procissão, nos lembramos do "cortejo" de mutucas e da coceira desgraçada, que nos causou até, um estado febril, que perdurou por vários dias mas, dos males, o menor: " Já pensou se fosse dengue?
E toda vez que a gente vê um repelente, nos lembramos da cara que o "Juruna" fazia, ao olhar para os caras-pálidas, que éramos nós, com aquele sorrisinho, disfarçado, de índio... já civilizado!
Nunca mais falamos em ir pescar lambarí, acho que ficamos... meio traumatizados!
Sempre nos encontramos no bairro do Baixio, lá no Recanto dos frutos do mar e dos rios, nos fins de semana, para "comprar" uns peixinhos...
E como nunca tem lambarí: Vai manjuba, mesmo!...
De repente...
Uma picada e uma coceira fatal... e, PLAFT!... " - Esta eu matei, uái! Tá na hora de cair fora daqui!..."
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