sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Luz que reluz

Do fundo da mata, uma voz falou ao homem branco:
Destruindo no corte do seu serrote as árvores inocentes,
e a etnia dos selvícolas, devastando de um só tranco,
sentirás a vida esvair-se, na água límpida das correntes...

Tudo nesta vida, devagar, vai passando,
neste mundo que é feito de pura ilusão,
com meus botões... eu vou matutando,
as dores que invadem o meu coração.

Ideias e ideais, com o tempo, todos somem:
Na luta renhida desta vida... um tanto vã,
e quando vires que tuas forças somem,
a morte o espera... na outra manhã!

Regando as flores, dou-lhes de beber,
todas, plantadas no meu jardim,
porque não quero vê-las morrer,
secas e sem beleza - igualzinhas a mim...

Morei um certo tempo em Taubaté,
e tenho na memoria imagem viva:
Do Martiniano... o meu amigo Zé,
e das gurias do bairro da Estiva...

Conheci todas as obras de um tal de Lobato,
me encantei com o Jeca, o Saci e o curupira,
com a sutileza da defesa, na época: Um fato!
Político ativista... com sabedoria de caipira!

Nos meus sonhos minha alma se perdeu,
viajei por todos os lugares da minha emoção,
encontrei um amor e minha alma sofreu,
e ainda sofre, na tua ausência, a triste solidão.

Depois que eu morrer, o que importa meu corpo?
nem os bichos que vão me roer, impiedosamente,
O coração e todo o resto... se já estarei bem morto:
com exceção da minha alma e do meu subconsciente!

Fecharei os olhos e morrerei num lugar qualquer,
esperando ter o meu dever bem cumprido,
com meus filhos e minha corajosa mulher,
pelos quais pouco lhes ofertei, por pouco ter tido!

Tenho inveja de quando minha poesia escrevo,
cantando nas rimas as coisas do nosso amor,
queria ser um artista e talhar em alto relevo:
A tua beleza na forma singular de uma flor!

Sou um acadêmico, entre tantos, sem o conforto,
dos teus carinhos, que corro atrás, pois, afinal,
não tenho nenhum lugar... para cair morto:
Por esta razão... dizem, que sou imortal!

Certo dia, atravessando a rua, vi um cachorro,
que espumava, envenenado por tintura mortal,
seus últimos latidos... eram pedidos de socorro,
na convulsão ele morria: Era o fim do animal...

Ninguém sabia quem foi o autor desta maldade:
não há dia que não venha na frente de outro dia,
e a justiça sempre vem... em meio, a eternidade,
para aquele que praticou o mal ao cão que morria...

Era um dia de primavera, pertinho do verão,
ninguém sabia o que fazer: Assim, morreu o cão!


































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