Os sertões e as fazendas, perdidas neste latifúndio brasileiro é, verdadeiramente, uma necessidade cármica, para abrandar os corações dos homens, perdidos na sua "santa ignorância", aparando as arestas, obrigatórias, ao seu desenvolvimento espiritual...
Quando o matuto, que mora na roça, nos diz que é feliz, a gente duvida, pois, os dias são longos e as noites, também...
O silêncio das horas, que não passam, faz parte deste mundo impenetrável, cheio de solidão, mas, de muita paz de espírito, pois, o roceiro é um vencedor na sua lida infinda, acostumado que está ao ver o tempo passar, observando os acontecimentos que a natureza oferece à quem perscruta os seus insondáveis atos fatos, na flora, na fauna, nos fenômenos dos astros, ( sol, lua, estrelas, cometas...) na chuva que cai, no orvalho que desprende das folhas das árvores... ora, é o perfume das flores que enebria o olfato ou os seus tons de diversos matizes, que embevecem o olhar maravilhado, por tanta beleza exposta de maneira tão simples. A água, que desce das nascentes das serras e dos morros íngremes, serpenteando os riachos, geralmente, vão desaguar nos rios que abastecem as cidades, mas, com destino final na imensidão dos mares, pois, "a água corre para rio e o rio corre o mar, só o pranto dos meus olhos, eu não sei onde vai parar..."
Para quem vive no burburinho das cidades, fica difícil imaginar a vida solitária dos caboclos, caipiras e matutos de todo jaez, embora tenham como características a timidez, acanhamento, cisma e desconfiança, ele é um autodidata, sabido, matreiro e ingênuo ao mesmo tempo, mas, não é fácil enganá-lo...Não é ruim e nem prejudica as pessoas, porém, não é de levar "desaforo para casa" e nem por isso, podemos compará-lo a um marginal... a sua índole é de bom caráter e a velhacaria não faz parte de sua existência, a não ser quando se contamina, convivendo com os citadinos, infelizmente...
Aprendemos na convivência no lar, nos bancos escolares, nos grupos sociais ou onde quer que nos encontremos, porém, o matuto, aprende na natureza exuberante e no silêncio das horas, que passam, no seu moto contínuo e no tic tac da vida...
Na gleba encravada ao pé da serra, a quilômetros de Itanhaem, um lugar silencioso e na sua quietude "gostoso", de propriedade do meu confrade, Jose Leme de Mori, foi de onde tracei, nestas linhas, a inspiração para esta crônica. Tivemos como acompanhante o Carlos Simões, conhecido como "Carlito" embora seja, de profissão mecânico de auto, tem os traços dos matutos embutidos na sua alma benevolente, "por dimais..."
Saímos de lá, com algumas plantas medicinais, pimenta e taioba, além, é claro da" mandioca do Zé", que diz que é uma delícia de tão molinha...(kkk) Diversas plantas e cultivos existem, além do palmito pupunha...
Depois de ter dado carona para algumas pessoas, chegamos à "pedra que canta"...
Para nós, cidadãos urbanos, acostumados às loucuras das cidades, no seu ir e vir, a solidão dos latifúndios, pertence aos que cultivam a terra, para o sustento da nação, acostumados que estão, neste "habitat" natural, longe das mazelas dos homens, tais como: Ódio, vingança, contenda, maledicência, disputa e amealhamento dos bens alheios, entre outros defeitos da alma...
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