segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O LEGADO

Pergunto, muitas vezes, á mim mesmo, o que deveria deixar como legado aos meus filhos, para que pudessem, um dia, dizer assim: " O meu pai, foi legal, cara!"
Durante o tempo em que o Grande Arquiteto do Universo, me permitiu, fiz o possível para que tal pensamento, que sempre povoou minha alma, pudesse atingir os fins tão almejados, sem me fazer de rogado e sem cometer um mortal pecado, mas, dos veniais não consegui escapar: Pequenas omissões, falta de visão da vida e do mundo, como se um véu estivesse diante de meus olhos, me impedindo de ser um genitor melhor, em todos os sentidos; pequenas concessões à mim mesmo, nos jogos diversos, nas convivências e bebidas inocentes com os amigos, em detrimento do aconchego do lar; a complacência com o sentimento de egoísmo, que sempre me acompanhou em todos os momentos da vida; da irracionalidade contumaz e da rudeza de meu coração orgulhoso e vaidoso, que hoje sei porque fui, assim e assado... Ainda, não consegui pensar no legado...
Dizer que fui honesto, trabalhador e cumpridor de meus deveres é, por si só, um dever. De que adianta dizer?
Quando a morte vier me buscar, estarei esperando, tranquilamente... Tranquilamente? Que nada! Medo não tenho, porém, morrer agora, é muito cedo e mesmo não tendo medo, fico imaginando como será esse tal desenlace... Não conheço ninguém que tenha voltado dessa viagem sem volta... 
Alguns espíritas, dizem, dizem tantas coisas, que passei até a acreditar, que a gente só muda de planos, que a vida não passa de fumaça nas ruas dos desenganos... e um dia, para cá voltamos!
Quando fiquei mais conhecedor das verdades, tentei mudar minhas idéias e conceitos, mas, já era tarde... Por esta razão, fiquei meio sem jeito para deixar, aos meus filhos, um legado!
Afinal, se tudo está certo e nada está errado, porque a nossa mente fica encasquetada com o pecado? Se fiz e fui, de um certo jeito, é porque tinha que aparar os meus defeitos, no cadinho do lar, do trabalho e da vida social, onde nós é que somos os empecilhos e não os nossos filhos!...
Nossos filhos, são oportunidades que temos de educá-los, dentro daquilo que temos para oferecer, no universo das nossas limitações, a que eles fazem jus, talvez, porque sejamos todos, devedores, em escala maior ou menor, aprendendo uns com os outros na fornalha quente do lar, em que construímos para o mútuo aprendizado fraternal...
E o legado? 
Pois é, tudo que posso deixar, são as minhas tentativas constantes de amar, perdoar e fazer o bem sem olhar a quem... Se a gente olhar, não faz nada para ninguém!
Deixo-lhes, o meu caráter modificado - sem muito pecado -  a minha crença em Deus, os meus valores morais e éticos...Os meus livros, os meus quadros ( pinturas sem muito valor ), que ainda não os doei, os meus escritos e as minhas poesias... deixo-lhes, também, os meus sonhos, fantasias e, porque não, as minhas utopias de um mundo melhor, de um Brasil melhor para os meus netos, bisnetos, tataranetos e outros afetos!

" Minha alma é um mundo virtual, longe deste orbe real, tão longe da paz universal... As transformações virão nas - presentes/futuras - gerações: índigo, cristal e diamante!"

Itanhaém, 13 de out. de 2015

Com muito amor: Vosso pai!
José Aloísio Jardim   ( Sêo Jardim )

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