quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Palavras


As palavras ditas não refletem, necessariamente, os sentimentos sentidos, pois, podemos dizer coisas belíssimas àqueles que amamos e não sentirmos, no coração, o que dizemos nos mais diferentes momentos, enganando aos outros e a nós mesmos, sem, contudo, nos sentirmos culpados, apenas, achando que estamos certos...por esta simples conjectura, entendo, que, as palavras são como uma lâmina de dois gumes: um lado corta e o outro, também...
 
O seu nome era José, mas, os seus olhos tristes, ancorados no horizonte, perdidos no azul do mar, numa jornada infindável, que sabia que jamais alcançaria o objeto de seus sentimentos, pois, ele buscava o inalcançável  e o impossível, que foi a razão da sua vida e dos seus filhos... A sua doce e saudosa esposa! Ela saíra de cena pelas mãos do destino, inexorável, que surpreende os mais cautelosos e cristãos, que seguem os mandamentos do Nazareno...
Viveu, durante algum tempo, desafiando e procurando a morte, mas, não encontrou nem na sanha de seus inimigos, porém, essa busca pela morte para encontrar o seu amor ou para entregar-se, também, transformou o homem meigo, risonho e feliz, em um ser frio, calculista, cheio de tristeza e angústia, visíveis a um simples olhar, mas, ao mesmo tempo, forte, feroz e belicoso...
Não conseguiu encontrar a morte e muito menos a sua amada...
O tempo que passou, celeremente, encontrou José sentado na areia branca da praia e sem perceber direito o que se passava, começou a falar em voz alta e as lágrimas escorriam pelo seu rosto cheios de sulcos e ainda muito tristes, pela incompreensão dos motivos que a morte ceifara sua amada no verdor dos anos da sua mocidade...
Apesar do seu cansaço sentia cada vez mais, um desejo irrefreável de voar...
Sem compreender o que se passava, ouviu a voz cálida e mansa da morte,( por quem tanto procurara) como se fosse uma amiga bem conhecida: " Venha José, terminou sua procura!"
José sentiu, então, todo seu corpo ser invadido por um torpor, uma leveza e uma paz, nunca antes sentida, desde que sua amada se fora para os braços de Morfeu...
E, alegremente, abriu os braços e alçou voo, na certeza que iria abraçar a sua doce amada, que a morte separou, divorciando-os da felicidade... ficando, agora, os seus filhos... na espera e na doce saudade!
 
 
 































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