quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O meu piá: Douglas Chrystian Jardim

Quando morávamos em São Pedro, interior de São Paulo, fiquei ausente de casa quando fui trabalhar em São Paulo, para ganhar o pão de cada dia através da minguada moeda sonante que percebia, nos empregos que conseguia, pela sorte ou pelo QI dos amigos, que sempre me favoreciam nas estradas do destino, que às vezes, era meio ingrato... Mas, isso é outra história...
Neste tempo perdido no tempo das recordações que não se apagam da minha memória, vou falar do meu amado filho: ( Todos os são sem distinção...) O Douglas!
Nos seus bolsos encontrava, sempre, papel dobrado de maço de cigarros, bolinhas de gude, pedaços de madeira cortadinha e outros restos de objetos não identificados, isso sem contar com o estilingue esquecido, pois, vivia escondido... Não que ele fosse um matador de passarinhos, mas, para dizer aos outros garotos que tinha um... e até melhor, mais caprichado no feitio...
Andava sempre descalço e sem camisa ( Um dos motivos de minhas broncas... )
E era muito sujinho para o meu gosto, pois, não era chegado a um banho, diariamente... Descabelado e de olhos arregalados, como se estivesse escondendo alguma coisa ( E como escondia... )
Seus cadernos viviam desenhados com cores variadas e, arabescamente, traçadas... A letra mais parecia uma montanha russa... E mentia tão bem que eu chegava a acreditar nas suas façanhas, contadas com ar de tanta seriedade e convicção... de um petiz que fala e que sabe o que diz...
Curioso por demais, andava sempre por perto para escutar uma conversa e entrava em todas, dando seu palpite, cheio de gracinhas, e muitas vezes, um tanto inconveniente, com seu ar de ironia e gozação não dissimulada...
Em baixo de sua cama tinha tanta bugiganga, que era difícil catalogar sem a ajuda de um fichário por ordem alfabética... ( Neste tempo era fichário, hoje, temos o not-book e outros equipamentos de alta tecnologia e resolutividade )
Suas roupas, guardadas, eu disse, guardadas? Não! Amontoadas de qualquer jeito, limpa com suja e suja com limpa...
E quando sua mãe falava alguma coisa, fazia aquela carinha de piedade, que dava dó....
Castigo? Ele já estava calejado... E parece que piorava cada vez mais...
De vez em sempre sumia de vista... Onde andava agente nunca sabia, só depois que chegava em casa, e contava, aumentando alguns pontos...
Seus olhos pareciam os de uma coruja no meio da noite: Sempre arregalados...
Na escola não sei se colava, mas, que amolava a professora, isso, ele amolava: contava estórias de assombração, piadas cabeludas, gesticulava  e pulava de um lugar para outro como se fosse um macaco sagui...
Atrapalhava a aula com conversa fiada e jogava aviões de papel para o ar...
Às vezes,  gritava, outras, dava umas palmadas... colocava de castigo e ficava doido de raiva, sabem porque? Porque nunca fui um menino de verdade, nunca fiz nada disso que estou falando... Meu pai que não o diga...
Sou, hoje, um adulto e o Douglas, meu filho, é um menino, ou seja: Um piá! Quer dizer: Foi!
Hoje, também, um adulto que soube viver seu tempo de criança junto com seus seis irmãos, cujas reminiscências, descrevi ... Um tantinho só!
Lembranças de um tempo, na cidade de São Pedro, no interior de São Paulo...
POIS É, MEU PIÁ, A VIDA É A ARTE DO ENCONTRO, EMBORA HAJAM MUITOS DESENCONTROS PELA VIDA... Assim dizia o poeta Vinícius de Morais.
Amplexos paternais!

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