quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Criança ao relento

Chove, uma chuvinha esquisita, fria e fina,
 Desce devagarinho, pela minha janela,
Estou feliz e alegre igual minha amiga Lina,
Que escreve e pinta com tinta aquarela.

É chuva e frio no dorso da noite nua,
Aí, abro a veneziana e olho para a rua,
Sob a minha janela... passa uma criança,
Tremendo de frio na sua trôpega andança!

Será uma menina indigente? Ou uma fora da lei?
Não quero nem olhar, mas, abro, devagar a porta,
E peço para aquela criança entrar... Assim, ajuizei!

Consciência... E se ela, no outro dia... aparecer morta?
Eu estava feliz na minha casa, quente e bem acomodado,
Mas, nunca fiquei, da minha felicidade... tão envergonhado!

Oferta:
Eu queria que naquele momento eu sentisse na alma,
O que aquela criança sentia por estar na rua do abandono:
Todas as dores e todos os problemas... todos os seus traumas,
De criança como tantas que vivem pela vida como cão sem dono!

Itanhaém, 28 de set de 2017

Jose Aloísio Jardim   ( Sêo Jardim )

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