Mario entrou pela porta aberta casa, simples e bucólica, e foi logo gritando:
- Sêo Zé! É mentira! É mentira! É mentira!
- O que que é mentira, Sêo Mario?
Perguntou uma voz possante e gutural, lá do fundo do quintal, onde estava jogando alpiste para os passarinhos, como sempre fazia todos os dias, nas manhãs primaveris, que adocicava sua alma, cansada dos embates da lida cotidiana, de antigamente, pois, estava aposentado e gostava de apreciar o passaredo, que multiplicava sua alegria com seus trinados diferentes, como se fosse uma sinfonia, imortalizada nas fibras mais íntimas de seu espírito, dantes belicoso, e hoje, cheio de amor e tolerância para com seus semelhantes... O Sêo Zé, corruptela de José, era um livre pensador, pesquisador e literato, que tinha como "hobby" ler e estudar sobre todos os assuntos, principalmente, sobre a alma humana, começando a se interessar ao tomar conhecimento da Teoria Lombrosiana (que afirmava que tal e qual conformação de crânio tinha tendências ao crime de assassinato) e, logo após, sobre os ensinamentos Kardequianos, baseados no tripé - religião, filosofia e ciência - através da Codificação Espírita, tornando-se um pesquisador inveterado e contumaz...
Talvez, por isso, Mario tenha procurado socorrer-se de do amigo José, por conhecer suas aptidões de entender das coisas que, ele, não conseguia atinar, compreender e aceitar...
- Andam dizendo por aí que sou corrupto, enxovalhando o meu nome e dizendo que pareço um artóprodes das praias do litoral Itanhaensse, enfim, que sou um parasita e comensal insaciável... Não! Não aceito isso de jeito nenhum... Vou acabar fazendo uma besteira com esses caluniadores... Ah, se vou! Isso, eu prometo de mãos postas e ajoelhado aos pés do Santo Padre Anchieta!
- Calma, Mario! Muita calma nessa hora... pois, esse corrupto, que falam que você é, não passa de um artrópode das praias do nosso Litoral, que é um molusco usado pelos pescadores para pescar na orla do mar com água pelo umbigo... entendeu? Agora, o que passar daí é pura gozação, e as semelhanças são coincidências com a vida dolente dos caiçaras, que gostam de "sombra e água fresca... de coco."
Já mais calmo, falou ao amigo José, em tom de parco entendimento do assunto:
"- Mas, que tudo isso é mentira, isso é!
Corrupto, é as turma do PT, eles é que são esses tar de artóprodes!"
E assim, Mario foi embora, meio desconfiado, ensimesmado e pensando... Quando chegar em casa vou pesquisar no "gugo" o que significa, realmente, o que é esse tar de invertebrado ou seja o que for...
E assim, Mario foi embora, meio desconfiado, ensimesmado e pensando... Quando chegar em casa vou pesquisar no "gugo" o que significa, realmente, o que é esse tar de invertebrado ou seja o que for...
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