Ela falava com os espíritos, por isso, a religião oficial da época, a tinha como "louca..." e queria o pároco, da cidadezinha do interior das Minas Gerais, interná-la em um hospício, onde teria tratamentos "adequados" ao mal que a acometia, e naqueles tempos de intolerância religiosa, que não vai muito longe, era comum a interferência da igreja em casos semelhantes, indicando um local especial, onde eram tratados os males psiquiátricos, com medicações fortes e agressivas e de "choques", que deixavam a pessoa hebetada, sem condições de regressar ao convívio familiar e social, formalidade que o clero encontrava para retirar das lides religiosas os "perigos", que poderiam influenciar o poder religioso dominante, que hoje, ninguém quero...
Isso iria, certamente acontecer, se não fosse a interferência, providencial de seu " protetor e padrinho", que, naqueles tempos da vivência da moral, da ética e dos costumes, era praxe em todas as famílias mineiras, quando tomavam uma criança sob sua tutela, através do sacramento do batismo - um dos dogmas da religião Católica - para protegê-la em todos os sentidos possíveis, para que crescesse sem maiores preocupações, eram responsáveis pela sua educação religiosa/cristã e escolar... era um protetor!
E esse abastado cidadão das alterosas, mais conhecido como, Cel. Zequinha, era um simpatizante do Espiritismo e, por estudar, despretenciosamente, as obras de Kardec, tinha lá as suas convicções sobre certos assuntos, que envolviam a alma humana, no quesito das doenças do espírito e nas suas manifestações físicas e espirituais: Entendia que, sua afilhada era Médiun, portanto, tinha mais obrigação em relação ao seu mister, que não era"suportado" pela igreja, pois, sempre achou que, os padres, conheciam muito mais do que diziam, fingiam, apenas, não saber...
E o pároco, alertado pelo Cel., foi convencido de que, se pedisse a internação da "louca" para o sanatório, com as alegações atestadas, ou a excomungasse para afastá-la da Santa Madre Igreja, poderia acarretar um mal maior à Igreja de Roma, pois, a moça em questão, era "Filha de Maria", uma ordem religiosa de mulheres piedosas, que se dedicavam aos misteres da paróquia, auxiliando em tudo que podiam, nas obras sociais e nos eventos religiosos, para angariar fundos às obras que nunca acabavam, sob a batuta do clérigo-mor, que dirigia os destinos das professantes, através de dogmas e ritualísticas, para levar almas para o paraíso, prometido por Cristo, enfatizava, sempre. Suas palavras eram seguidas, nas homilias, sem tergiversações...
Mas, sempre, há, sempre, um mas... O Cel. o alertou do grande erro, que estava por cometer, pois, não era de bom tom excomungar uma "Filha de Maria", pois, outras "ovelhas" poderiam sair do rebanho, à procura de outro "pastor" ou de outro líder religioso, espalhados pelas igrejas pentecostais, ditas evangélicas que, também, proliferavam, ou mesmo, os Centros espíritas, cada vez mais espalhados pelas cercanias da sua cidade, de lastros e laços católicos, apostólicos e romanos... então, o santo padre não vai querer que tal aconteça, portanto:
Deixe tudo como está, sem mexer nem um dedinho, esquecendo de vez,
essa " Filha de Maria", chamada de Inez...
Inteligente, o padre, assim o fez!
E o Cel. depositava, uma polpuda quantia,
nas mãos do padre, todos mês...
O tempo passou... o pároco morreu!
Uma noite, quando a abóboda celeste, repleta de estrelas, reluzia sua luz prateada, pelos raios argênteos da lua, na terra, Inez recebeu, pela mediunidade de incorporação, numa sessão especial aos espíritos no caminho da redenção, o padre José, que, depois de "morto", falou assim:
( As palavras da mensagem, abaixo, são intuitivas... )
( As palavras da mensagem, abaixo, são intuitivas... )
" Estou aqui, para agradecer ao Cel. Zequinha, por ter salvado uma alma, inocente, da excomunhão, pois, achava que o fenômeno, era de puro satanismo, isso, apregoava no catecismo, porque, ainda não tinha conhecimento profundo, desta maravilha, que é o Espiritismo...
E que Deus lhe pague, Inez, pelas suas orações à meu favor e pelo seu amor - filha do meu passado - "Filha de Maria" a quem eu deveria ter amado... esse foi o meu pecado, e hoje, regenerado, serei seu mentor na Seara dos trabalhadores das últimas horas, deste orbe em transição...
Que Jesus abençoe à todos!
Padre José: Teu pai!"
Os elos são eternos: Hoje, esposa, amanhã, filha, depois, mãe... um dia, espíritos evoluídos, sem precisar dos laços consanguíneos da carne, nos caminhos da luz e do amor de Jesus!
OBS:
Os nomes: Padre José, Inez e Ze do Zequinha, são fictícios!
E tenho dito!
E tenho dito!
Itanhaém, 29 de nov de 2015
Jose Aloísio Jardim ( Sêo Jardim )
Nenhum comentário :
Postar um comentário