domingo, 18 de maio de 2014

O Causídico... Sentenciado!

Era um causídico de grande renome, importante na sociedade de então, amealhara grandes fortunas e vivia, nababescamente, os seus dias de glória no orbe terrestre, sem maiores preocupações, e todos o referenciavam como exímio defensor daqueles que adentravam pelos caminhos da marginalidade e dos crimes, aparentemente, insolúveis, que eram "defendidos" pelo nobre causídico, famoso e respeitado...
A bandidagem refestelava-se na liberdade "comprada" a peso de ouro... Vivia-se o tempo das impunidades e do prestígio do tráfico de influência e de entorpecentes... Era, também, o tempo da corrupção como nunca se teve notícias!
Quando uma quadrilha de assaltantes ( de banco, residência  ou de carga, etc e tal... ) era presa em flagrante delito e com testemunhas, da mais alta honestidade e moral, lá vinha, não sei como, o Causídico, contratado para defender os meliantes...
As Leis e seus adendos, suas brechas, estavam na mente e na ponta da língua para livrar seus tutelados das acusações, dizendo que, eram vítimas inocentes, com residência fixa, bons antecedentes e pessoas de bons costumes, dentro da sociedade em que viviam... Fazia até as pessoas pensarem, que eram santos ou anjos vestidos de meros mortais...
Nenhum profissional de acusação, tinha a mínima chance de vencer seus argumentos e os fatos elencados pela defesa do impoluto causídico! Era um verdadeiro Mestre das palavras do discurso, eloquência, apelando, muitas vezes, para a prosopopeia prolixa, para intimidar seus  colegas de defesa, e jurados intimados... e constituídos pelo Judiciário, como soe acontecer nos casos levados aos "Foruns e Côrtes", pelas Instituições legítimas, que julgam os processos, no amplexo das Leis Magnas da Constituição Federal do Brasil...
E assim, foram passando os dias, meses e anos, no calendário da vida, até que a morte sombria, implacável e fria, veio ao encalço do causídico, para lhe dar o que de direito tinha adquirido, pela vida que levara na trajetória de suas conquistas, o quanto o livre arbítrio tinha lhe facultado decidir, e assim o fez, de sua livre e espontânea vontade...
Ao chegar no plano maior, qual não foi sua surpresa, quando deparou  com muitos criminosos, seus conhecidos, que já tinham chegado antes, e que teria de conviver, além de muitos outros, que agora o acusava de covarde, omisso, mentiroso, hipócrita e causador de tantas desgraças, nas vidas daquelas famílias, que dependiam de seu julgamento justo e coerente com os fatos... Que não passava de um reles trânsfuga das Leis, que jurara obedecer, em favor da justiça e da profissão, que abraçara: Advogado!
Porque a acusação de " Advogado do diabo?"
Ao seu lado, sem saber de onde vinha, apareceu uma figura, envolta em uma toga esvoaçante até os pés, preta por fora e vermelha por dentro, com textura de cetim, e um capuz comprido como se fosse um funil, cobrindo o rosto com suas abas até o pescoço, falou, com sua voz metálica e peremptória:

" - Seja bem vindo ao Vale das trevas... Em breve será julgado pelos crimes que o acusam seus desafetos: Crianças, homens, mulheres... Famílias inteiras, buscando a justiça, que você tanto burlou devido a vaidade, luxúria, concupiscência e toda sorte de prazeres mundanos, que usufruiu, em detrimento das dores da alma dos que clamam, agora, o pagamento das suas dívidas, contraídas no tribunal da sua própria consciência...
Aproxime-se e ajoelhe-se, para receber a sentença, que o condena às zonas abissais, onde o pranto e o ranger de dentes serão vaticinados à sua pena...
Eu, o Príncipe das trevas, Juiz "Adoc" absoluto, dos Causídicos,  nestas paragens, declaro que ficará, por tempo indeterminado, sob o jugo dos espíritos morféticos e sob o domínio mental dos seres ovoides... nas profundezas da sua mente, voltada para o mal que ora colherá, por teres praticado, como causídico, os maiores pecados...
Esta, é a sentença: Cumpra-se!"

Seus sentidos pareciam terem sidos arrastados para a voragem do tempo...
Lágrimas, copiosas, invadiram sua face, cheia de sulcos pela idade senil...
Começou a lembrar, num torvelinho de emoções, todo o  seu pretérito...










 











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