quinta-feira, 30 de maio de 2013

A minha dor é, sempre, maior que a sua!

Certas situações são atípicas e incompreensíveis na vida, por exemplo:
Quando uma pessoa querida é assassinada a gente perde o rumo, fica abestalhado, parecendo um zumbi andando ao léu... Nesta época, parece que foi ontem, eu tinha cinco filhos!
Os pensamentos perdem a coordenação, e há um misto de ódio e dor a nos acompanhar... por todo lugar que a gente vá!
E quando  a Justiça tranca suas portas pela insensibilidade dos magistrados, que não julgam os delinquentes, os meliantes e os marginais de alta periculosidade, pelo fiel da balança e sim pelo contrapeso da moeda sonante, ou do tráfico de influência, quer dos rábulas ou dos políticos de grande notoriedade, mas, condoer-se com a vítima, isso é fora de cogitação, e aí, entra a omissão...
Porém, seja qual for a motivação da sua insensibilidade, um juiz nunca será julgado e condenado por qualquer uma dessas anotações, nas quais vivi momentos de verdadeiro terror, sem merecer nenhum ato de misericórdia ou compreensão por nenhum representante da justiça, quer delegados, advogados ou magistrados... Os homens são falhos e fracos: orgulhosos, egoístas, vaidosos, gananciosos...
Então, me revoltei contra Deus: O Ser que criou o Universo, as Leis e os destinos...
Comecei a achar que Ele se divertia com a minha dor.... testando minha paciência, resistência e reação perante o enigma que me fazia réu, ao levar meu motivo de viver para os confins do céu!
Quando a dor atingiu um certo grau de loucura, açoitando meu espírito, ignorante das coisas do amor incondicional, minha revolta, em expressão máxima, me fez falar assim:
" - Deus, sei que não posso te chamar de FDP, pois, meu raciocínio, um tanto ilógico, ainda resistia à demência total e pensava: Puxa vida, não posso xingar o " My God" porque Ele nunca teve mãe... é um Ser que não precisou nem de mãe para nascer, ou, nunca nasceu porque sempre existiu e sempre existirá..."
A revolta das minhas palavras era a minha dor que não encontrava abrigo em nenhum lugar!
Mas, estava falando da minha dor, aquela dor que é a maior de todas as dores... A minha dor!
Ainda meio anestesiado com os resultados físicos e espirituais, no meio das coisas que me rodeavam o mundo interior, não conseguia atinar com um prognóstico do ocorrido e o porquê do acontecido...
A realidade parecia um sonho, quer dizer, um pesadelo, e tudo parecia tão distante deste mundo e da minha vida: era uma controvérsia de pensamentos descoordenados, desconexos e sem nexos... achei que iria enlouquecer!
Não enlouqueci!
Lembrei-me das passagens e das lições do Evangelho Segundo o Espiritismo.
Acalmei meu coração e minha mente, procurei perdoar, nas minhas orações, aquele ser das trevas, que ceifou a vida da minha vida e da vida de meus filhos! Não foi fácil: Várias vezes, caí na tentação da vingança do "Olho por olho.." e vida por vida!
A CRENÇA NA PLURALIDADE DA EXISTÊNCIA BRECOU MINHAS ATITUDES  EM ESTADO DE DEMÊNCIA...
E as lagrimas eram o meu conforto para quem, no lugar do meu amor, deveria estar morto, mas, não foi assim que o destino resolvera intervir...
Dizem que os carmas compulsórios são inevitáveis, e isso, ainda,  me consola um pouco... para não ficar louco!
O livre-arbítrio, no ser humano irracional, não funciona a contento e só nos trazem, a qualquer momento, uma grande dor e muito sofrimento...
Eduquei meus filhos da melhor maneira que pude, ajuntei-os em torno de uma nova vida, amparado por uma mulher maravilhosa, que Deus, na Sua Infinita Misericórdia nos concedeu como sustentáculo, para apagar e diminuir as nossas dores pela perda irreparável... mas, suportável!
Hoje, caminhando para ocaso da existência, elevo meu pensamento à Deus para agradecer-Lhe por Ele ter nos dado tudo que precisávamos...
E as minhas falhas pelos momentos de dor infinda,
também, sei que já me perdoou,
pois, Deus é Amor!
Mas, a minha dor dói...
Ainda!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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