segunda-feira, 6 de maio de 2013

O poeta decide morrer

Pensava o poeta, que queria se suicidar:
 
" - De que vale a vida?
Acho que é melhor
ganhar um pouco de publicidade,
e tornar-me um suicida..."
 
Pensou e começou a imaginar como seria seu fim...
Como seria a sua morte...
Afinal, de quem é a vida, não é minha?
Então, vou fazer dela o que quiser:
 
Posso pular na frente de um trem e me acabar, todo quebrado, fatiado... e ensanguentado...
 
Também, raciocinou: Posso mergulhar nas águas profundas de um rio e deixar que a correnteza me
engula como se estivesse com fome, pois, até para morrer é preciso ter coragem e ser homem...
 
E se desse um tiro na cabeça? Legal, não? Seria miolo para todo lado e ninguém seria culpado...
 
Mas, até que poderia ser um "acidente" de carro: 50,80,100, 120.160...210 quilômetros p/hora... e não seria nem multado pelo radar imóvel, insensível, indiferente...
 
Outras formas encontrou para se matar, mas, não quis falar sobre elas, pois, sua mente começou a ficar vazia, sem ideias, sem fantasia, sem eira nem beira... e sem poesia!
 
O poeta estava parado em cima da linha do trem que atravessava sobre o rio...
Pegou seu revolver, cano curto, e jogou-o na água escura da correnteza que se avolumava fortemente... no rio Itanhaém!
 
Entrou no seu carro e foi até um quiosque à beira mar, pediu uma cerveja bem geladinha e uma porção deliciosa de bacalhau, colocou as mãos atrás a cabeça e pensou alto:
" - Puta que pariu, dizem que cabeça vazia é oficina do diabo... e não é mesmo?
Neste momento eu poderia estar morto!..."
... E deu uma gargalhada alto e a bom som... ainda bem que não havia ninguém, mas, o Edsom, dono do quiosque, já se acostumara com certos tipos de fregueses que frequentavam seu estabelecimento, e nem deu importância ao fato, senão, iria virar um boato!
E qualquer semelhança é mera coincidência!...































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