domingo, 2 de março de 2014

O carnaval de antigamente... não existe mais!

Antigamente, a pouco tempo atrás, o carnaval era gostoso para se brincar e  a gente caía na folia, para gastar as energias e viver momentos de alegria e prazer... mais na inocência do que na indecência que hoje se vê pelas ruas, avenidas e salões de bailes nos clubes abertos e fechados, vip´s e privês... " 
Que saudade dos bailes de outrora...", que as drogas levaram embora!
" Ei, você aí, me dá um dinheiro aí..."
" Tem caroço, tem caroço, tem, caroço no angu..."
" Oh, Colombina, porque está tão triste..."
E por aí vai o desfile de modinhas de carnaval, com aquele toque de uma letra impecável e uma melodia mais bonita ainda, na sua construção cadenciada e nos solfejos ímpares, que faziam todos cantarem as modinhas, junto com suas famílias e os amigos "de copo e de cruz..."
Nas ruas e nos salões, era um grito em uníssono, dando as boas vindas ao reinado de Momo que durava, sempre, de sexta a terça feira e, na quarta feira de cinza, todos os cristãos católicos iam receber as cinzas, em cruz, na testa, para nos fazer lembrar que, éramos pó e ao pó retornaremos... e redimir os pecados praticados.
Era, quando, também, começava a quaresma, que, segundo os dogmas da Igreja, começa na quarta feira de cinzas e termina na quinta feira Santa, na missa da Ceia do Senhor Jesus, após quarenta dias de jejum,  penitências, reflexão e aproximação de Deus, visando a evolução espiritual ao comparar nossas vidas às mensagens da Boa Nova do Evangelho de Jesus, e  a cor deste tempo, é a roxa, que significa luto e penitências, diferente das cores vibrantes do carnaval deste tempo profano... e pecaminoso onde o povo judeu aproveitou os dias que antecede a quaresma para festejar, comer e beber a vontade, usando fantasias e máscaras, e esse tempo deu-se o nome de "adeus à carne" ou " carnevale" em Italiano, fazendo tudo que não devia ao aproximar a data da abstinência e o fato da festa ter dia e hora para acabar... então, os foliões lotavam as igrejas para receber as cinzas da absolvição...
Estes tempos, que não voltam mais, era uma grande felicidade paquerar e ser correspondido, com aqueles olhares, que jamais esquecemos durante a nossa vida, era, na  verdade, um mundo mágico e maravilhoso... que hoje perdeu o encanto, restando no final desta festa, apenas, para a maioria, o desencanto e, muitas vezes, o amargo pranto, isso, porque as baladas e as festas carnavalescas de hoje, são regadas com entorpecentes, drogas letais, diferentes daquelas de antigamente, um pouco mais inocente...os lança perfumes, que, infelizmente, deixavam aparvalhados e tontos os seus consumidores, diretos e indiretos, razão do nascimento e abortos de muitos fetos...
Mas, que era um tempo mais calmo e gostoso, isso era, sem sombra de dúvida...
Que pena que não volta mais esse tempo de tempos atrás...
Os carnavais , quaresmas e semanas Santa, da minha terra mineira de Carmo de Minas, são dignas de um capítulo à parte...
Nesta época, a gente não comia carne vermelha e os jejuns purificavam a alma pecadora e belicosa, por natureza...
As cruzes e os quadros eram cobertos de roxo, junto com as imagens dos santos da igreja, que simbolizavam a paixão e morte de Jesus Cristo...
E tudo começava no domingo de ramos e permaneciam ate o meio dia do sábado de aleluia, quando eram descobertas...
Os sinos da igreja, tocavam numa cadência triste e "roxa", musicas sacras e clássicas, que nos levavam, irremediavelmente, à reflexão...
Eu era um pequeno guri, entre oito e dez anos, mas, me lembro que, na casa de minha avó não se colocava toalha na mesa, em respeito e luto ao evento da quaresma, e ninguém falava nada. O silêncio era de ouro... e até audível!
Minha avó era Filha de Maria e meu tio, filho da minha vó materna, era Congregado Mariano, ordens eclesiásticas católica e, por suas vestes diferentes e de acordo com o tema, tinha um certo respeito e temor incontrolável...
Uma banda não faltava... e as marchas fúnebres eram tocadas, porem, a que me encantava era a de Chopin...
Depois, era vez das matracas,  intermediadas com o Canto das Lamentações, entoado por Verônica, uma das componentes da Irmandade eclesiástica...
Aí, vinha o sábado da Aleluia, anunciado por rojões e, no alto de um poste, amarrávamos um boneco imitando Judas...
E nós descíamos o pau espancando e queimando o dito cujo, para deleite do povo, que aplaudia de pé, com efusão e delírio nunca imaginado...
Aí, vinha o domingo de Páscoa e os ovos que os coelhos "botavam", para festejarmos a data auspiciosa.
A maioria dos procedimentos e cerimônias foram abolidas pela reforma da igreja, sendo desconhecidas de muitos católicos da atualidade...
A Igreja, cada vez mais distanciada de seus seguidores e das cerimônias religiosas, que faziam seus seguidores vivenciar o Santo Ofício das cerimônias, tende a dispersar, definitivamente, cedendo espaço para os Evangélicos...
Que, ao final deste milênio, terão suas liturgias desaparecidas e a própria Igreja Católica Apostólica Romana: No mesmo redemoinho!
A maioria das religiões do passado, antes de Jesus, desapareceram...
Porém, tudo evolui... fazendo parte de um passado romântico e ilusório, que é consumido pelas verdades insofismáveis dos novos tempos...
Não há retorno ao ponto de partida, ao romantismo, ao Romeu e Julieta, ate porque, hoje é Julieta e Julieta e Adão e Ivo, até que a morte os separe... 
Somente Jesus é o mesmo em todos os tempos da humanidade!
Tudo o mais está sujeito à mutabilidade!
O carnaval de antigamente... É que não existe mais!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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