Chorei, quando, um dia, li o soneto de Olavo Bilac, o poeta romântico do parnasianismo, que morreu em 28 de dezembro de 1918, aos 58 anos de idade, assistido por sua amada e musa inspiradora Amélia de Oliveira, além de amigos, parentes e o Zé Pirata, um de seus queridos amigos de longo tempo, assim conhecido pela sua perna de pau...
Uma jura de eternos namorados, feita na época de noivado, para quem partisse primeiro, era banhar o corpo do falecido com a colônia Vitória-Essência. A promessa foi cumprida e seu corpo foi perfumado pelas mãos de quem floriu sua mocidade, pois, faleceu solteiro
Foi velado na Academia Brasileira de Letras por ele fundada, e sepultado ao sons de marchas fúnebres tocadas pela Banda do Exército seguindo para o cemitério de São João Batista, em Botafogo no Rio de Janeiro... Ressalto esses detalhes para fazer entender o quanto o romantismo fazia parte de sua vida, assim como o faz os poetas de hoje e de sempre, senão, como escreveria um soneto tão belo quanto o que abaixo vos brindo, com a alma dos vates de todas as épocas:
Via-Láctea XIII
" Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas. pálido de espanto...
E conversamos toda noite, enquanto
A Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: " Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: " Amai para entende-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".
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