sábado, 20 de julho de 2013

Detalhes

Quem passou pela vida e não sofreu, foi aspecto de homem... Não foi homem e já morreu!
Sofri muito, que não dá para descrever a dor da perda daquela que amei... e das pessoas que, uma simples ajuda procurei, mas, que fizeram seus ouvidos moucos, e foram tantos, que quase fiquei louco...
Essa parte da história é a mais triste e quando falo, as lágrimas ninguém resiste...
Então, vou pular essa parte e me ater a alguns detalhes, quando a história começou a frutificar e oferecer os seus doces frutos, para que as lembranças, no futuro, pudessem ser amenizadas por aquelas que somente dor nos traria:
Bom, tive a felicidade de ter um sogro maravilhoso e, muitas vezes, sentávamos nas cadeiras côncavas feitas de ferro e fios plásticos, trabalhados por algum artesão interiorano, que nos dava um conforto tão grande, que relachávamos ao ponto de adormecer... e até dar um ronquinho, como se fossemos porquinhos carunchinhos...
Isso, quando não deitávamos nas redes de juta, estrategicamente colocadas, para que um ficasse olhando para o outro para ver quem dormia primeiro...
Como mandava o protocolo, fui até a cidade de Taiúva para pedir a mão de sua filha em casamento e ele, meio desconfiado, me falou assim: " - Tá, tudo bem, vou dar permissão para vocês se conhecerem melhor, mas, se "mijar fora do pinico" a coisa vai pegar...! Seja bem vindo a nossa humilde residência!"
Quando fui à sua casa para "ficar noivo" de sua filha e marcar o casamento, ele me olhou com aqueles olhos  que invadiram a minha alma e disse, pausadamente: " - É, parece que você tem boas intenções com a nossa filha, mas, não acha que é muito cedo? Pense bem, pois, a gente do interior não gosta de ter uma filha com filho e descasada..."
Falei prá ele que, a razão da pressa era porque eu havia recebido uma proposta de trabalho fora de São Paulo, e queria dar uma vida digna à sua filha!" Ao que aquiesceu de bom grado e nos abençoou na nossa nova jornada...
A festa foi somente para os mais chegados: amigos, parentes e aderentes, e todos estávamos, aparentemente, felizes, nos deliciando com o coquetel oferecido aos convivas e, após o brinde, fomos cada um para o seu aposento, para começarmos, esperançosos, uma nova vida á dois, muito em breve... 
Sempre tive algumas habilidades na cozinha e o meu sogro gostava quando fazia alguns pratos, mesmo que fosse o trivial, e sempre dizia que a minha sogra não era uma cozinheira de " mão cheia", como se falava pelas bandas interioranas, mas, que se consolava com a descendente de italianos, que tinha lá os seus dons, que o fazia esquecer esse detalhe...
Certo dia, servi-lhe uma azeitonas com palitinhos e tentei pegar uma para "fazer bonito" e por mais que tentasse não conseguia pegar e ele olhando a minha dificuldade... até que, de repente, fisguei uma "cavernosa" e ouvi seu deboche sobre ter levado muito tempo para o fato consumado, mas, como não nasci ontem, falei: " - Olha aqui, meu sogro, eu estava, simplesmente, deixando ela cansada para poder espeta-la, "capiche? Ele achou tão engraçado a minha saída, que sofreu uma crise de riso tão grande, que acabei engasgando e teve que "bater" na minha costa para expelir a dita cuja... Fiquei meio traumatizado, mas, toda vez que ia na sua casa fazer um visitinha, ele me oferecia um pratinho de azeitonas... sem palitinhos, é claro! Esse era o meu sogro!
Ele nunca engoliu a história que contei que a sua neta nasceu de sete meses, pois, com aquele ar de quem sabe tudo, me falou assim: " - Meu genro, sete, é conta de mentiroso!"
E saiu caminhando, vagarosamente, com seu cigarrinho no canto da boca e um sorriso disfarçado de quem, não só sabe das coisas, como é "adivinho". Essa é a magia da "terceira idade".
Pelo seu bondoso coração, sei que me perdoou a piedosa mentira!
Esse era o meu sogro!
Hoje, vive no céu, ao lado de sua amada filha, ( amore mio) que Jesus levou para abrilhantar a Via-láctea, como estrelas resplandecentes, na imensidão do Cosmo...

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