Vultos que aparecem em minha retina,
oscilantes e confusos,
são, por acaso,
reflexos da minha alma penada ?
Que vos direi das minhas
mais caras emoções,
perdidas,
neste coração em desencanto,
umedecido... pelo meu pranto!
Nas brumas e névoas do meu caminhar,
meu peito aperta a dor que emerge,
caindo, como uma gota de orvalho,
congelando... pela fria e branca neve!...
Oh! Almas tresloucadas, que vivem
no umbral, junto com a minha,
não ouvem mais,
os meus gritos e meus ais...
Sou como o filho pródigo,
que não quer voltar
para a casa de seus pais...
Sinto uma saudade louca
de tudo que tive
e joguei fora...
Do doce mel da sua boca
e dos seus beijos,
quando rompia a aurora!
O tempo passou e agora vem esta saudade,
que meu ser - de tudo esquecido - invade...
Minha voz... ecoa como um lamento,
minhas palavras são levadas ao vento,
as lágrimas sucedem-se, copiosamente,
e os espectros esvoaçam-se, lentamente!
Meu espírito... sinto que se abranda um pouco,
e minha mente descansa junto com meu coração,
que pulsa descompassado, como se fosse louco,
por um instante, livre... desta tragicômica ilusão!
A morte, ninguém sabe que cor que tem,
e como é triste e amargo o dia de morrer,
bem diferente da vida e de cada dia viver:
Quem nasce, morre para a vida do além...
Canta, plangentemente, um sabiá-laranjeira,
longe de sua companheira...
Uma estrela se precipita no lusco-fusco
do entardecer...
As flores e as folhas das árvores caem
descrevendo estranhos arabescos...
Vem o vento etésio, brincalhão,
e se diverte com elas:
Era solstício de inverno,
no meu coração!
Pensamentos e sonhos de um Poeta chamado JOSÉ ALOISIO JARDIM " Membro Efetivo da Academia Itanhaense de Letras!"
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