Após uma conversa, amena, com minha esposa Maria, sobre a convivência e a insatisfação da vida à dois, concluímos o que abaixo descrevo:
" - Qualquer relacionamento afetivo, na vida à dois, implica na escolha e adaptação dos envolvidos. E quando passa aquele momento de euforia na convivência, e percebe-se, que um não gosta tanto do outro, como antigamente, a saída mais recomendável, seria a separação, mas, nem sempre, é isso que acontece...
Colocamos outros valores na relação, que não combinam mais com os encantos dos primeiros tempos e das ilusões que nos davam vida e alegria...
Embora as uniões afetivas estejam bem variadas, diferentemente, do passado de nossos avós, que paqueravam, namoravam, noivavam e casavam...
Hoje, falamos de "ficantes", têrmo não muito bem definido, por quem vivencia esses novos tempos do amor mais livre e sem compromisso...
O que salva um casamento é o amor, ( não falamos de paixão, que é um fogo passageiro com data de validade ) carinho, companheirismo e uma certa cumplicidade, com pequenos segredos comuns, ditos sobre os lençóis e à meia luz...
Muitas escolhas, são feitas por almas que tem afinidades e objetivos semelhantes, assumidos em tempos do pretérito, no plano espiritual, e muitas vêzes, não se sustentam no cotidiano, revelando, na convivência, as picuinhas e as culpas mútuas, num jogo onde o culpado, é sempre o outro...
Revelamo-nos nas relações, quando temos que ficar ao lado de alguém, que não toleramos, pelos motivos os mais insignificantes...
Qual decisão tomar? Qual caminho é o correto? Vou ou não vou? Devo dizer que tudo acabou? Que nada mais existe? Não sei, não sei, não sei...
A separação é viável, quando se pensa num mal maior, que é o desfecho através de um crime ou um desatino sem precedentes... envolvendo amigos, inimigos e parentes!
Tolerância, amor, compreensão, falar baixo e com carinho ao dirigir-se para o outro... mudar nosso comportamento, mesmo que achemos que seja tarde, é um trajeto que devemos, pelo menos, tentar, pois, quem sabe, tudo muda para melhor...
Não procure no outro a culpa que pode ser sua... nesta vida, ninguém é perfeito!
Dê uma chance para voce e para o seu cônjuge, que muitas vozes irão se alegrar, em prece, por quem ama, perdoa e dá um voto de confiança ao outro...
A cada dia a gente mata um leão, mas, tem dia que é preciso liquidar com vários leões... dentro do nosso ego, pois, somos egoístas, orgulhosos e vaidosos... e não percebemos!
Há necessidade de conversar sobre os problemas, para que não fiquemos frustrados, gerando sentimentos de tristeza, solidão e decepção um com o outro... são sinais que alertam-nos para as dores, acabando com nossa alegria de viver... sentimos que somos vítimas, culpando, mas, não aceitando o outro como ele é...
Aí, vem ao nosso encontro, o vazio de nossa vida, tornando-nos vitimistas, quando tudo converge contra nossa expectativa, de um ser perfeito, que nós idealizamos e que não existe, então, caimos no poço fundo das desilusões... e das depressões!
A indiferença e as acusações, nos levam ao afastamento da paz e da felicidade, acabando com a nossa auto-estima, a ponto de perdermos a vontade de compartilhar a relação, que se deteriora... achando, que o amor foi embora!
Temos que ativar nossa força interior, e entender que não dependemos de ninguém para ser feliz e sim, de nós mesmos, para fazer ao outro, o bem que desejamos para nós!
Nós atraímos nossos parceiros, pela Lei das afinidades, portanto, dizer que a culpa é só de um, é muito temerário, é uma atitude de otário que caiu no conto do vigário... sic.. mentira!
Afetividade mal resolvida e mal cuidada, resulta em mágoas e ressentimentos, que são os inimigos da paz e do bem estar de cada um, que não sabe investir na tolerância, amor e compreensão!
Tudo que a gente faz é fruto de uma escolha.
O que passou, não volta mais, é como água que passa por debaixo da ponte... e o futuro, é uma página a ser escrita, com novas atitudes e mudanças comportamentais que façam bem... ao outro!
Nossos conflitos, começam no nosso pensamento, na nossa mente, que "acredita" no plasmar das idéias pré-concebidas...
Devemos estar abertos ao diálogo, sempre!
Devemos estar propensos a uma reforma íntima, começando no pensamento, externando nas palavras e culminando nas ações do cotidiano, junto àqueles com os quais convivemos.
Indo mais longe, entendemos que, tudo que passamos na vida, vem para nossa evolução, embora, não saibamos, ao certo, como esse processo se manifesta em cada ser humano, pois, o véu que encobre uma verdade, é para que lutemos para descobrí-la e não percamos a oportunidade da vitória, nos escafandros sinuosos do remorso, que nos despertará para as dores do futuro, escolhidas pela nossa inércia, em deixar tudo como está... para ver como é que fica, não é mesmo?
A vida à dois, é construída de renúncias, de compreensão, tolerância e perdão das ofensas, por mais insignificantes que sejam, não sete vêzes sete... e sim, setenta vêzes sete, " A mesma ofensa..." Qual é o coração, que não deixará de se prostrar, de joelhos, aos seus pés, com um amor, tão grande, quanto este?...
Esta é a mágica da felicidade, em qualquer relacionamento... de amor à dois!"
Obs: As datas são, sempre, do dia em que escrevi meus rascunhos.
Itanhaem, 31 de agosto de 2010
J.A.Jardim ( Sêo Jardim )
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