domingo, 17 de março de 2013

Maria Aparecida Paulino Ferreira : Seu cognome é: " Fia?..."

Quando, ao te escrever aquela missiva que nunca deveria ter escrito, hoje me ponho a pensar, que as palavras que diziam tudo para te ofender eram, na verdade, palavras para me esqueceres, apagar-me de sua memória e de teu coração...
O amor que eu sentia era muito grande, mas, que não poderia continuar sentindo devido minha posição sócio-econômica, onde era um jovem adolescente de classe pobre, e porque não dizer: Paupérrimo!
O que poderia te oferecer como teu príncipe encantado e na condição de teu último namorado?
Apenas, um reino sem súditos e sem reinado, perdido nas encruzilhadas das estradas da vida, da minha querida São Lourenço, nas cercanias das minas gerais, cujo tempo, que não foi esquecido, mas, que não volta nunca mais...
Foi mais fácil e mais difícil renunciar: Renunciar ao amor que nascia naquele dia em que te pedi... e me destes um beijo! Um beijo cheio de sentimentos  e emoções atropeladas pela nossa adolescência, que emergia da puberdade, onde descobríamos um novo mundo... da inocente paixão que assolava nossos corações, sem que soubessemos o porquê...
Hoje, meditando sobre meu ato, meio insensato, chego à conclusão de que, somente um grande amor pode ter a capacidade de abdicar de seus sonhos e de um amor, verdadeiramente, encantado, nas  veredas da púbere adolescência...
Quem disse que o tempo cura as dores e fecha as cicatrizes, deixadas por amores infelizes, o disse com grande propriedade ou com conhecimento de causa, pois, nos dias que se passaram, as imagens desse amor foi sumindo, aos pouco, como se estivesse dentro de um nevoeiro que fazia esmaecer cada gesto, cada palavra, cada rosto: foi assim, também, com meu pai e minha avó materna... talvez, seja este o segredo para não enlouquecer ao perder aqueles que amamos, qualquer que seja a razão da perda indesejável...
Todos os nossos sentimentos, bons ou maus, são frutos de momentos vivenciados nas margens dos tempos, onde passamos as experiências da nossa evolução constante, em direção a novos caminhos, novas vidas e novas emoções que, um dia, também serão apenas lembranças nas brumas da eternidade, que ensejarão novas oportunidades, novos rumos, novos amores...
E tudo passa, como se fosse... uma névoa de fumaça!
Hoje, me quedo a pensar: Que se não tivesse escrito aquela carta...
 
 






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